segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Filósofo explica porque alguns ricos e poderosos pensam que são intocáveis e eternos

dezembro 18, 2019 by 
Pertencer à lista dos mais ricos do mundo ou fazer parte do alto círculo social é algo para poucos, que galgaram e conquistaram seu lugar à mesa através de caminhos distintos, obtendo destaque  perante os demais. A Fama, o dinheiro e o poder, seja ele político, econômico ou de influência,  podem virar a cabeça de algumas pessoas
e dar a falsa sensação de imunidade total e até mesmo fazer com que se esqueçam da premissa básica da vida humana, de que somos finitos e
mortais.  O filósofo Fabiano de Abreu destaca alguns dos motivos que levam ricos e poderosos a terem
esta falsa sensação de onipotência e de eternidade, com base em seus estudos do
comportamento humano e observações empíricas e do cognitivo:

O que detém o poder na sociedade pensa ser um deus
Segundo o filósofo, uma mente dominada pelo ego e vaidade busca se igualar a Deus: "o poder
motiva a falsa sensação de eternidade, pois vincula-se a Deus que seria eterno e soberano, o
maior de todos os poderosos. Isso é dito porque quanto mais poder e dinheiro a pessoa tem, mais
ela acredita que sua posição é uma concessão de Deus. E por isso, mais perto do todo poderoso
ela está, portanto, poderoso é! Mas isso tudo é só uma ilusão da sua mente perturbada, dominada
pelo ego e pela vaidade extrema”.
Sentir-se um deus pode também ser consequência da consciência de saber que detém o poder
financeiro: "muitos ricos vivem como se fossem eternos porque o poder que possuem é tão
grande que se sentem um pouco como deuses. Ao saberem e serem conscientes de que são
poderosos, se esquecem de sua natureza finita e da verdadeira realidade da vida, que um dia
vamos todos morrer”.

Viver pela lei do Mais Forte é um instinto humano
Para Fabiano de Abreu, se sentir superior é uma necessidade e um instinto de muitos de nós, que
nos acompanha desde o berço: ”nascemos e crescemos em uma sociedade competitiva, onde é
necessário muita luta e esforço para se conquistar um lugar ao sol. Numa sociedade em que para
cada profissão há extrema competição e concorrentes para seus postos de trabalho; o melhor e
mais bem preparado, vence. A partir destes princípios, a ideia de ter que ser o melhor move o
mundo, em meio à competitividade insistente que determina quem detêm o poder. A “lei do mais
forte” existe desde a pré-história e ela faz parte da evolução.O problema que gira em torno do
poder não é a competitividade em si, mas a necessidade de se sentir superior e de poder controlar
a tudo e a todos”.

No cerne do poder está o dinheiro
Seria o amor ao dinheiro a raiz de todos os males? O filósofo esclarece que há mais questões
para além do financeiro: “Há um jogo de poder que tem em seu cerne o dinheiro. Quem tem mais
riquezas tem maior poder na sociedade. Os bilionários do mundo controlam a economia, os

acordos e negociações governamentais mundiais, e determinam o nosso futuro. Os governos do
mundo estão nas mãos dos endinheirados e poderosos, que mandam e desmandam nos
principais chefes de estado do mundo. Esse poder pode estar na mão dos fortes, dos fracos, dos
inteligentes e dos pouco inteligentes, mas sobre tudo, estão nas mãos dos oportunistas.Isto é,
aqueles que souberam aproveitar o melhor momento, a sorte, que apostaram em algo certo na
hora certa, e se aliaram às pessoas certas”.

A Imortalidade não nos pertence
Fabiano apóia o seu raciocínio ao remontar desde as primeiras civilizações:"nos primórdios,
quando as civilizações adoravam vários deuses, todos eles eram poderosos e eternos. Tempos
depois, a grande maioria passou a acreditar em um único Deus onipotente que também é eterno.
No entanto muitas destas civilizações endeusavam homens, imperadores, reis e grandes vultos do
passado. Não é tão diferente assim hoje. Muitos ricos e poderosos se comportam de forma
extravagante, praticam atividades radicais, de alto risco, brincando com a vida. Outros extrapolam
ostentando uma vida luxuosa, alimentando a arrogância são engolidos pela ganancia, agindo de
forma autoritária, mandando e desmandando em tudo e em todos, enquanto a desigualdade rola
solta. Dizem que o poder “sobe à cabeça”. E que se quisermos conhecer alguém de verdade é só
darmos poder e ela”.
No entanto, o filósofo acredita que a imortalidade não nos pertence: “muitos não se dão conta da
finitude. Passam a acreditar, inconscientemente, que como Deus, também serão eternos. Mera
ilusão, já que a morte é a coisa mais democrática que existe e chega para todos. Esses
“poderosos” que se esquecem que não são eternos não são nem um pouco inteligentes. Pessoas
inteligentes pensam na vida, portanto, pensam na morte.”.

O dinheiro não pode nos livrar da morte
O filósofo ressalta uma verdade inevitável e que independe de status social e econômico, de que
não há como evitar a própria morte: “é preciso saber que possuir bens materiais ou muito dinheiro
não é sinônimo de poder e que o dinheiro é só um papel, que pode comprar “quase” tudo, mas
não compra saúde e muito menos é capaz de nos comprar a eternidade.Ou seja, dinheiro algum,
e poder nenhum nos livrará da morte. No caixão fúnebre, cabe apenas o corpo inerte e sem vida”.
Fabiano também ressalta que o acúmulo de riquezas não é desfrutado no pós vida: “Seja o que
nos espera após a vida, a riqueza acumulada e conquistada não vai conosco. Ela fica aqui para os
herdeiros, que na grande maioria das vezes nada fizeram por merecer e vão apenas usufruir de
bens que, possivelmente, nem darão o devido valor. Logo, o poder que advém do dinheiro é uma
mera ilusão do nosso ego e da nossa vaidade. Ele acaba dando àqueles que os detêm, uma falsa
sensação de eternidade, de que nada poderá os atingir, e de que eles podem tudo pois serão
eternos, mas tudo isso não passa de uma ilusão que a vaidade cega impõe. Uma farsa que o ego
insiste em alimentar, até que a morte vem, arrebatadora, e mostra que de eternos, não temos
nada”.

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