sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Após coligação na trave, Osmar Dias desiste de candidatura a governo do PR


O ex-senador Osmar Dias (PDT) desistiu da candidatura ao governo do Paraná e não vai disputar as eleições em 2018.
A desistência ocorre depois de, nesta semana, Dias não selar uma coligação com o MDB, do senador Roberto Requião, e de ver uma aliança em escala nacional interferir diretamente em sua estratégia para o governo do estado.
Candidato à presidência da República, Alvaro Dias (Podemos), irmão de Osmar, oficializou a coligação em escala nacional com o PSC, tendo Paulo Rabello de Castro como vice-presidente. Em termos regionais, essa coligação colocaria Osmar Dias e Alvaro Dias como adversários, visto o PSC é um dos principais apoiadores da campanha de Ratinho Jr (PSD)
e, na prática, Álvaro teria que fazer palanque para o adversário do irmão.
Em um cenário provavelmente disputado pela atual governadora Cida Borghetti (PP) e por Ratinho Jr (PSD), Osmar, que perdeu a eleição de 2006 por 10 mil votos, teria grande influência, especialmente no interior do estado. Entre 2011 e 2016, o ex-senador atuou como vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil. Dessa forma, a disputa no estado deve ser polarizada entre os dois candidatos, ainda que o PT tenha oficializado Dr. Rosinha como o seu candidato ao governo.
Em uma carta, Osmar Dias culpa o sistema político pela sua desistência. "Percebi que o sistema político sem reformas não aceita na prática o discurso de mudança que todos os políticos pregam em época de eleição. Por ingenuidade ou excesso de confiança acreditei que como eu os políticos de todos os partidos haviam compreendido o momento grave que estamos vivendo", afirmou.


Confira a carta na íntegra:
"Reorganizar o Estado, acabar com o loteamento de cargos, romper com um modelo de governo em que impera o compadrio, a nomeação de pessoas sem qualificação, sem capacidade, libertá-lo dos vícios do patrimonialismo e combater com rigor a corrupção que contaminou as instituições públicas, recuperando o respeito e a confiança da população nas autoridades.
Coragem e determinação para isso foi o que demonstrei em toda minha caminhada.
Durante meses a fio lutei incansavelmente para construir uma frente política que não me deixasse só numa batalha desejada por toda a sociedade.
Encontrei muita gente, nas ruas e nas estradas, sintonizadas com essas ideias, exigindo que as mudanças sejam feitas para não permitirmos que o Paraná e o Brasil sejam empurrados para uma crise ainda mais profunda.
Mas percebi que o sistema político sem reformas não aceita na prática o discurso de mudança que todos os políticos pregam em época de eleição.

Por ingenuidade ou excesso de confiança acreditei que como eu os políticos de todos os partidos haviam compreendido o momento grave que estamos vivendo.
Não cedo jamais em valores e princípios. Aceito discutir e construir alianças políticas que sejam para atender o interesse público. Mas não negocio com o interesse público, não faço acertos perniciosos à sociedade para contemplar pessoas ou grupos políticos que não medem consequências nem custos para ter o poder e repartir suas benesses com amigos e parentes.
Não agrido minha consciência em troca de tempo de TV, ou de apoio com base em barganhas escusas ou apoios hipócritas.Política não pode ser um jogo dominado por sentimentos e paixões negativas como vaidade, inveja, pensamento medíocre.
Não aceito fazer parte disso!
Prefiro preservar minha história de trabalho e ter dignidade e respeito à minha família e amigos e às pessoas que verdadeiramente gostam e acreditam em mim.
Por isso, comunico que não disputarei as eleições em 2018.
Peço a compreensão e o apoio a essa difícil decisão que é definitiva.
Agradeço sinceramente o carinho que sempre recebi dos paranaenses e, peço que Deus nos conceda suas bênçãos para que tenhamos um futuro melhor para o nosso Paraná."

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