terça-feira, 3 de outubro de 2017

Microempreendedor: renda pessoal e finanças da empresa não se misturam


Nesta quinta, 5, celebra-se o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Neste ano, a situação está crítica já que mais de 1 milhão de microempreendedores individuais (MEIs) de todo o país podem ter sua inscrição cancelada até dezembro, se não negociarem sua dívida e/ou regularizarem sua situação, segundo a Sempe (Secretaria Especial de Micro e Pequena Empresa).
Entre as causas para esse problema – que são muitas, ainda mais nesse momento de instabilidade econômica do país, uma merece atenção: a falta de educação financeira dos empreendedores. Se não souberem administrar as finanças pessoais, como poderão sustentar um negócio?

Uma das primeiras informações que o empresário tem que saber é que ele tem sim uma remuneração, é o pró-labore. Isso quer dizer que ele tem que adequar suas despesas a esse valor, assim como os funcionários vivem com o seu salário. No entanto, muitos fazem retiradas ao longo do ano sem planejamento e controle.
Se essa prática for constante, a empresa dificilmente conseguirá sobreviver por muito tempo, o que refletirá diretamente na condição financeira de toda a família. Sente e converse com seu/sua companheiro/a e filhos e explique o que está acontecendo. Isso fará com que cada um ajude o outro a passar por essa fase juntos.
Para evitar – ou sair – desse cenário nada agradável, separe os orçamentos pessoal e empresarial. Relacione os sonhos individuais e coletivos da família e as metas da companhia. Em paralelo, tenha reservas para casos de emergência e possua capital de giro. Parece muita coisa, mas com disciplina e determinação, é possível colocar tudo em seu devido lugar.
Além disso, separei algumas dicas aos microempreendedores, a fim de facilitar o entendimento de que educar-se financeiramente é essencial para a vida, independente de qual seja a sua situação: 
  1. Pensa em ter um negócio próprio? Então, esteja educado financeiramente em sua vida pessoal e familiar;
  2. Reúna a família e defina o padrão de vida, em especial nos primeiros anos do negócio, que, geralmente, são os mais difíceis. Lembre-se que, quem escolhe ser empresário, irá assumirá 100% de risco. Todos da família devem saber disso;
  3. Saiba quais são os sonhos individuais e coletivos, de curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazos (acima de dez anos), não esquecendo da aposentadoria;
  4. Elabore um orçamento financeiro familiar que dê prioridade aos sonhos (e não às despesas) e continue poupando para a realização deles;
  5. Se for abrir uma empresa, escolha um ramo do qual goste muito e procure o máximo de informações possíveis sobre a área de atuação;
  6. Elabore um plano de negócio contemplando as áreas comercial e marketing, administrativo e financeiro e técnica-produtiva;
  7. Faça um orçamento financeiro que contemple receitas, custos, despesas e rentabilidade. Seja coerente na hora de definir o pró-labore dos sócios;
  8. Para que o negócio tenha sucesso, um dos pontos a ser considerado é o capital de giro, para, depois de algum tempo, não precisar buscar dinheiro no mercado financeiro, pois, quando isso acontece, os sócios acabam perdendo o foco no negócio.
  
Reinaldo Domingos está a frente do canal Dinheiro à Vista. É Doutor em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin – www.abefin.org.br) e da DSOP Educação Financeira (www.dsop.com.br). Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira.

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