terça-feira, 4 de outubro de 2016

Campanhas mais caras elegeram candidatos os sem grana ficaram de fora


Mesmo com a proibição das doações de empresas e a consequente redução do orçamento das campanhas, os candidatos que mais receberam doações se saíram bem nas urnas neste domingo (2) na maioria das capitais brasileiras, segundo levantamento feito pelo UOL nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Das 26 capitais --em Brasília não houve eleição--, em 17 o primeiro colocado nas urnas foi o que mais arrecadou na campanha.
Os dados ainda são parciais e podem ser mudados até a prestação de contas final. Porém, como em 2016 foi obrigatório o lançamento de gastos em tempo real, as alterações devem ser mínimas.
Dos oito eleitos no primeiro turno, só em Rio Branco o candidato que mais arrecadou não foi eleito. A que mais recebeu doações foi Eliane Sinhasique (PMDB), com R$ 234 mil, mas ficou na segunda posição. O vencedor em primeiro turno foi o atual prefeito, Marcus Alexandre (PT), que teve R$ 184 mil arrecadados. A capital do Acre, por sinal, teve a campanha mais barata entre as capitais.
Em todas as outras sete capitais em que os eleitos venceram no primeiro turno, os candidatos que mais arrecadaram foram eleitos. Foram os casos de São Paulo,SalvadorJoão PessoaNatalTeresinaPalmas e Boa Vista (A lista com nomes, valores e principal fonte de receita está publicada ao final do texto).
Entre os eleitos, o que mais teve recursos na campanha foi o próximo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo a prestação de contas, até o sábado (1º) sua campanha tinha recebido doações num total de R$ 7.341.422,18. A maior fonte de receita foram as autodoações, que somaram R$ 2,9 milhões.
Dez candidatos ficaram na primeira colocação, mas ainda vão ao segundo turno, também foram os que mais arrecadaram. Outros quatro ficaram em segundo lugar e vão tentar mudar o cenário no próximo dia 30.
Quatro candidatos receberam mais, mas estão fora da disputa. Curiosamente, o candidato que mais arrecadou no país ficou fora do segundo turno. Foi Pedro Paulo (PMDB), do Rio, que recebeu R$ 9.093.841,77 em doações, mas ficou na terceira posição.
Entre os partidos, o PMDB ficou à frente no ranking de campanhas mais caras e teve oito candidatos que lideraram as arrecadações nas capitais. O PSDB veio em seguida, com seis candidatos. O PT não figura com nenhum candidato que liderou arrecadações de gastos entre as 26 capitais.
Entre as fontes de receita, as doações partidárias aparecem como principal fonte de arrecadação em 14 capitais. Em sete, as pessoas físicas foram as que mais repassaram recursos. Já em outras cinco, as autodoações foram as maiores financiadoras.

Doações altas

Em setembro, o UOL identificou no sistema do TSE --e citou em reportagem-- 96 doações acima de R$ 100 mil a candidatos.
O doutor em direito pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pesquisador de doações eleitorais Bruno Carazza avaliou à época que a proibição de doações de empresas não amenizou em nada a disparidade econômica entre candidatos por não estipular valores máximos de doação.
"Obviamente isso é anti-isonômico, desigual e injusto. Quando o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu as doações de empresas, o pleito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) envolvia também a necessidade da imposição de um limite para as doações de pessoas físicas e as autodoações de candidatos. O espírito do pedido da OAB era o mesmo da proibição de doações de empresas: reduzir a influência econômica sobre o resultado das eleições", disse.
via UOL

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