quarta-feira, 31 de agosto de 2016

BRASIL TEM NOVO PRESIDENTE: QUEM É MICHEL TEMER?

OFICIALMENTE O NOVO RESIDENTE DO BRASIL - TEMER ! E AGORA BRASIL?

Discreto, voz baixa, alinhado, prudente, extremamente formal, ouve mais que fala, conciliador, dialoga com todos, ardiloso, voraz para conseguir cargos no governo, sem carisma político, imagem pública indefinida e político profissional. Estas são algumas das características que políticos e jornalistas de todo o País usam para descrever Michel Temer (PMDB), 75 anos, que assume agora oficialmente  o país no lugar de Dilma Roussef (PT).

Lula e Dilma não o queriam como vice, na eleição de 2010. Mas acabaram percebendo nele um grande articulador político, com muita influência entre os deputados federais, o que poderia facilitar para Dilma aprovar medidas no Congresso Nacional. Dilma percebeu que ela e o PT não podem governar sozinhos e por isso vinha usando melhor a influência de Temer sobre os deputados em seu segundo mandato, para garantir mais estabilidade ao governo. 
Mal sabia Dilma que a aliança PT-PMDB se transformaria em guerra PTx PMDB, com Temer pouco interessado em evitar o impeachment dela.

Origem libanesa

Michel Miguel Elias Temer Lulia é de uma família de libaneses, católica, que desembarcou no Brasil em 1925. Três dos oito irmãos nasceram no Líbano e os outros no Brasil. Temer é o caçula, nascido em 23 de setembro de 1940. Assim que chegou, seu pai comprou uma chácara em Tietê (SP), onde instalou uma máquina de beneficiamento de arroz e café e os negócios começaram a prosperar.
Michel e outros irmãos foram estudar na capital paulista, onde ele se formou bacharel em Direito pela USP e doutor em direito pela PUCSP. É considerado um dos maiores constitucionalistas do país (especialista em Constituição Federal) e um dos seus quatro livros publicados na área, “Elementos do Direito Constitucional”, já está na 20ª edição e é um dos mais usados nas faculdades de Direito, com mais de 200 mil exemplares vendidos.

Começou como oficial de gabinete

Michel Temer entrou na vida pública como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário de Educação do Estado de São Paulo. Em 1983, recebeu o convite para ser procurador-geral do Estado. No ano seguinte, licenciou-se do cargo para ser secretário de segurança de São Paulo (pasta que chefiou novamente nos anos 90). Mesmo hesitante em aceitar o cargo, foi aí que começou sua imagem de bom articulador político, já que conseguiu negociar de forma brilhante a desocupação que 400 estudantes da USP fizeram ao prédio da reitoria; e a desocupação de um prédio invadido por semterra.
À frente da Secretaria de Segurança, implantou projetos depois copiados por outros estados: em 1985 criou os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), depois a primeira Delegacia da Mulher no Brasil, a Delegacia de Proteção aos Direitos Autor,ais e a Delegacia de Apuração de Crimes Raciais. Depois da rebelião no presídio do Carandiru, que teve 111 detentos mortos, em 1992, ele conseguiu diminuir as rusgas que existiam entre Polícia Civil e Polícia Militar e, de certa forma, fazer as duas instituições trabalharem em conjunto.

O 3º vice que vira presidente

O PMDB, que hoje é o maior partido brasileiro, é chamado de fisiologista, ou seja, preocupado em ocupar o maior número de cargos possíveis no governo, para manter-se forte e garantir reeleição. Temer, que a vida toda foi fiel à sigla, não gosta do PMDB ser chamado assim.
Pela terceira vez um político do PMDB assume a presidência da República sem ter sido eleito por votos. A primeira vez que isto aconteceu foi quando Tancredo Neves adoeceu, dias antes da posse, em 1985, e a República foi assumida pelo vice José Sarney. A segunda vez que isto ocorreu foi quando Fernando Collor de Melo renunciou ao cargo, em 1992, enquanto tramitava seu processo de impeachment no Senado. Entrou Itamar Franco.

Ele não está imune a escândalos

Em 2009, a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, descobriu uma lista de doações não declaradas da construtora Camargo Corrêa a vários políticos e pessoas influentes. A construtora é suspeita de financiar campanhas políticas, com dinheiro de caixa 2. O nome de Temer foi citado 21 vezes. Acredita-se que ele recebeu mais de R$ 500 mil. A operação acabou anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por irregularidade na coleta de provas.
Temer voltou a ter seu nome figurado em escândalo na Operação Caixa de Pandora, que investigava o mensalão do DEM. O dono de um jornal local acusou Temer de ter recebido dinheiro para articular a saída de Joaquim Roriz do governo do Distrito Federal. Temer negou a denúncia e abriu uma ação contra o proprietário do jornal.
Dilma e Temer respondem a processo no Supremo Tribunal Federal (STF), de responsabilidade fiscal, por conta das pedaladas fiscais. Juntos, eles respondem a quatro ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pedem a cassação de seus mandatos por abuso do poder econômico e político. Nestes processos, também são suspeitos de terem recebido dinheiro de recursos desviados da Petrobras para a campanha eleitoral.
Há chance de Temer ser investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, porque o senador Delcídio do Amaral (ex-PT) afirmou que Temer deu aval para indicar envolvidos em irregularidades na Petrobras para serem diretores da estatal.

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